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Cientista critica pesquisas com vírus da gripe aviária




Por Redação da Galileu


A gripe aviária tem uma alta taxa de mortalidade - 60% dos casos já diagnosticados resultaram em morte. No entanto o vírus H5N1, responsável pela doença, sempre foi pouco transmissível entre humanos, impedindo uma epidemia. Agora, pesquisas feitas na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e no Centro Médico Erasmus de Roterdã, na Holanda, criaram mutações do vírus capazes de se transmitir entre furões, animais com biologia semelhante à nossa. 

A intenção dos pesquisadores era preparar o mundo para o aparecimento dessa nova mutação e ajudar órgãos de saúde a desenvolver tratamentos e vacinas com antecedência. Mas, segundo alguns críticos, eles teriam criado o vírus mais perigoso já visto. As críticas são as mais variadas. Terroristas poderiam copiar a pesquisa. O vírus poderia escapar do laboratório. Ele seria usado como arma. 






Mesmo o governo americano e a Organização Mundial de Saúde encaram os estudos com cautela, e pediram para as revistas que publicariam as pesquisas que censurassem os detalhes do vírus. Para entender quais são os riscos envolvendo a mutação do H5N1, a GALILEU conversou com Richard Ebright, químico especialista em biodefesa da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Veja a entrevista completa: 

- O que te preocupa mais: a possibilidade de alguém copiar o vírus mutante ou uma falha de segurança nos laboratórios? 

A menos que a Organização Mundial da Saúde se mova rapidamente para fazer restrições quanto ao número de laboratórios autorizados a possuir esse vírus, é possível que ele seja distribuído para dezenas ou centenas de laboratórios ao redor do mundo. Nos Estados Unidos. No resto do Ocidente. Nos países do BRIC (incluindo o Brasil). Em outros lugares. Dentro de meses. 



Cada novo laboratório autorizado a possuir o vírus será mais um ponto de liberação em potencial. O maior risco é a liberação acidental do vírus por meio da infecção de um trabalhador dos laboratórios (para o qual existem diversos precedentes) e a liberação intencional do vírus por um funcionário perturbado ou descontente (para o qual as cartas com Antraz enviadas nos Estados Unidos em 2001 são um precedente). 

- Quantas pessoas já viram os detalhes da pesquisa com o H5N1? 

Centenas de pessoas viram todos os detalhes do trabalho. De milhares a dezenas de milhares ouviram informações suficientes para reconstruir os detalhes mais relevantes. Mas a informação não é o perigo primário. O vírus é o perigo primário. As discussões deveriam estar voltadas para controlar o vírus, não para controlar a informação. 

- Mas já aconteceu de um vírus escapar do laboratório onde estava sendo estudado? 

Isso já aconteceu inúmeras vezes. O vírus do SARS já escapou de laboratórios de alta segurança em 4 ocasiões diferentes, infectando funcionários do local. Um estudo de 2010 feito pela Academia de Ciência dos EUA documentou 395 acidentes envolvendo armas biológicas e patógenos nos laboratórios americanos de 2003 a 2009.

- As pesquisas estão sendo feitas em laboratórios de segurança nível 3, embora o nível 4 seja o mais seguro. O que você acha disso? 

É uma irresponsabilidade - uma irresponsabilidade grosseira - fazer esses experimentos sem seguir o maior nível de biossegurança possível. Os laboratórios nível 3 são apropriados para variedades naturais do H5N1, que são incapazes de se transmitir pelo ar entre mamíferos. Os laboratórios nível 3 são inapropriados para a nova cepa do H5N1 transmissível entre mamíferos. 

O único argumento feito contra o maior nível de biossegurança é que seria “inconveniente” para os pesquisadores. Esse argumento não tem peso nenhum, a “conveniência” pessoal de pesquisadores não deveria ser mais importante que a segurança do publico. 



A pesquisa não deveria ter sido financiada e não deveria ter sido feita. Infelizmente, agora que os novos vírus já foram criados, será necessário que as pesquisas com ele continuem, para desenvolver novas vacinas e drogas. É crítico que, conforme avançamos, o número de laboratórios autorizados a possuir o novo vírus seja restrito, que os maiores níveis de biossegurança sejam requeridos e que todos os experimentos vindouros passem pela aprovação internacional.




Fonte: Revista Galileu

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