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Mãe, queimaram minha escola!

Mãe, queimaram minha escola!

Ontem fui dormir cedinho, assim que acabou o Faustão, fui logo para minha caminha, hoje voltarei pra minha escolinha, para rever a Tia Socorro, que eu adoro muito. Minha mãe arrumou minha mochila com carinho, vesti minha farda limpinha e cheirosinha, vou levando um bombom para a Tia. Vou entregar junto com um bilhetinho que escrevi a ela com a ajuda de minha irmã, ela vai ver que eu já sei escrever direitinho. Vou levar outro bombom para o seu Ribamar, o porteiro, que também gosta muito de mim, ele me ajudou no dia em que escorreguei e caí durante o recreio, onde machuquei meu joelho. De repente meu pai me chama, já estava na bicicleta me esperando para me levar, não é muito longe e ele me deixa na escola todos os dias e depois vai trabalhar. Não vejo a hora de reencontrar minhas coleguinhas, minha melhor amiga Lívia, ir para o nosso cantinho preferido da biblioteca, ler mais uma historinha na hora do recreio ou, quem sabe, jogar com Paulinho que todo dia leva sua bola de meia. Hum ! já estou sentido o gostinho da merenda, é muito gostosa, Dona Raimunda enche meu prato e hoje eu quero suco de maracujá. Já estamos chegando, Papai já está freando a bicicleta, não vejo a hora de voltar a estudar. Chegamos! Mas... onde estão meus colegas. Papai achou estranho e me pediu para esperar na entrada enquanto ele iria falar com a professora. Não demorou muito ele apareceu com a Tia Socorro e me pediu para que eu ficasse com ela, me deu um beijo e foi embora. Logo que entrei no pátio de minha escola, notei que nada estava como antes, as paredes estavam todas pretas, muitos livros e cadernos queimados, carteiras e mesas quebradas e amontoadas pelos cantos. Continuei andando e a professora me levou para a última sala, a maior do colégio, pediu para que eu entrasse e que sentasse nas carteiras do fundo da sala. De longe avistei Lívia, Ana Júlia e Manuela, fiquei mais aliviada, abracei minhas amigas e me sentei, observei que havia outras crianças que não eram de minha sala, logo a sala ficou cheia e a professora me disse que iriamos dividir a sala com outros colegas. No começo estranhei um pouco, no entanto,  assim que a tia começou a aula fiquei mais à vontade. As outras professoras tentavam falar baixinho para não atrapalhar as outras turmas, mas fiquei um pouco confusa. Finalmente chegou a hora do recreio, e,  de repente,  dona Raimundinha entrou na sala e falou que hoje não teríamos merenda e quem pudesse, amanhã,  trouxesse seu próprio lanche. Ainda bem que guardei um biscoito no meu bolso que sobrou do café. Saímos para o pátio e comecei a andar pela escola, fui até a porta da cantina e vi muitos copos, pratos, panelas pelo chão e o fogão todo quebrado, muita sujeita e um cheiro muito desagradável, muito diferente daquele cheirinho gostoso que sentíamos na hora do lanche. Voltei ao pátio, encontrei minhas amigas Lívia e Ana Júlia, e as convidei para irmos à biblioteca, mais uma vez fiquei muito assustada com o que vi, estava tudo queimado, fiquei muito triste e derramei uma lágrima quando observei meu livro preferido, O Pequeno Príncipe, todo queimado e rasgado no chão, assim como a maioria dos livros da nossa pequena biblioteca. Logo seu Ribamar, muito preocupado, apareceu na porta e pediu para que nós saíssemos daquela sala, pois o forro ameaçava cair sobre nossas cabeças, saímos rapidamente, as meninas correram para o pátio e eu acompanhei seu Ribamar,  perguntei a ele o que havia acontecido com nossa escola. Seu Ribamar me olhou com muitas tristeza e disse: - Filha, queimaram nossa escola. – Queimaram? – perguntei assustada. – Sim, uns homens maus, entraram aqui e queimaram quase tudo – completou o porteiro Ribamar. Confesso que fiquei muito confusa e com medo ao mesmo tempo, homens maus destruíram minha escola, me perguntei: por quê?  Fiquei com raiva desses homens maus, e eu nem sabia quem eram, eles queimaram a minha segunda casa. Fiquei tristonha pelo resto da manhã. Meu pai me levou para casa e ainda no caminho, falei para papai: - Pai, já sei o que vou ser quando crescer. – Que bom, então me diga filha! – respondeu papai. – Bombeira! – exclamei com entusiasmo. – Nunca mais vou deixar homens maus queimarem escolas.

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