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A NOVA ROSA DE HIROSHIMA














Pensem nas crianças  
Mudas telepáticas


Para as crianças, o que deixaremos?  Crescemos e nos multiplicamos, mas de que forma? Como povoadores ou como parasitas? Agredimos nosso planeta como um vírus agride  um organismo vivo.

Pensem nas meninas
Cegas inexatas

Elas não enxergarão ou não querem enxergar? Nossas previsões não são precisas, nossa visão não vai mais além do que nossos interesses imediatos.

Pensem nas mulheres
Rotas alteradas


Alteramos nossas fontes, nossos ventos, nosso firmamento, nosso chão. Alteramos  nosso destino.

Pensem nas feridas
Como rosas cálidas


Feridas incuráveis, fruto da nossa falta de bom-senso, como um câncer que penetra, uma caminho sem volta.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária


A nova rosa de Hiroshima, tão poderosa quanto a primeira ou a segunda.

A rosa radioativa
Estúpida e inválida


Válida por mostrar o que está por vir. Dessa vez a estupidez não foi só de um:  um povo, uma nação ou um ideal,  foi de muitos e continua sendo.

A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica


Uma vingança ou um castigo? Uma resposta ou antídoto contra o que causa o mal?
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

Sem rosa, sem verde, sem azul, sem nada. Mas ainda resta a rosa, a rosa. A cada botão renasce a expectativa.  Os novos brotos irão crescer, novas sementes irão germinar e precisam de nossa atitude, agora.



Em destaque, poema de Vinícius de Moraes.

Comentários

  1. Neste momento em que o Japão sofre com a fúria da mãe natureza, onde percebemos tanta dor e perda, só nos resta refletir sobre o que realemnte é importante na nossa vida e tentar fazer um mundo mais consciente de seua atos. Parabéns pela iniciativa...

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  2. Parabéns pelo blog!
    Já viu a quantidade de acessos no Brasil?

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